Pode a ciência ser ética?

Sim! Geralmente os(as) cientistas e professores(as) não se preocupam com a não-utilização dos animais em pesquisas e no ensino, portanto desenvolvem metodologias e didáticas que requerem o uso de animais. Muitas vezes somos levados(as) a crer que a única metodologia condizente com o avanço das pesquisas e com o entendimento dos organismos seja aquela que utiliza animais. Porém, se o(a) cientista e professor(a) tiver a preocupação inicial de desenvolver um método em que animais não são utilizados isso é perfeitamente possível. Só é preciso uma preocupação prévia, estudo e criatividade.

Nenhum vegano e vegana é contra o estudo, a prática e os avanços científicos. O que somos contra e não aceitamos é a falta de ética na ciência.

Além disso, os resultados obtidos de uma espécie não podem ser extrapolados para outras espécies (dados obtidos de ratos não podem ser aplicados a seres humanos). Cada organismo responde de uma maneira diferente a determinado estímulo o que torna a extrapolação de dados entre diferentes espécies um grande risco. Esta extrapolação já trouxe diversos problemas para nós, humanos. Este é o caso do medicamento da talidomida, que foi amplamente testado em animais. Constatado que não causava problemas nos mesmos, foi liberado para consumo humano e recomendado principalmente para mulheres gestantes para a diminuição de enjôos. O problema é que este medicamento nunca poderia ter sido liberada para mulheres gestantes pois possui efeitos teratogênicos, ou seja, causa diversas anomalias e malformações no feto. Centenas de bebês nasceram com problemas devido a este triste fato.

Pesquisas

Atualmente consideramos anti-ético induzir uma doença em seres humanos para então buscar a cura. Tecnicamente isso também não é justificável, pois uma pessoa induzida a um estado de doença pode não desenvolver a doença da mesma forma que uma pessoa que a desenvolveu de maneira natural. No entanto, parece correto que a ciência se ocupe de tentar buscar a cura para seres humanos já doentes, desenganados por outros tratamentos. É natural que essas pessoas aceitem participar de pesquisas, isso é de seu interesse. Da mesma forma, centros de pesquisa que tenham interesse no estudo de determinada doença podem oferecer tratamento veterinário gratuito a tutores de animais desenganados por doenças. Dessa forma, seguindo um rígido protocolo de pesquisa, o paciente ou seu tutor legal podem consentir participar da pesquisa, desde que essa vise sua cura.

Outras formas de pesquisas éticas são:

  • A utilização de células e tecidos cultivados em laboratório (testes in vitro) para pesquisas toxicológicas e investigações de natureza bioquímica;
  • Utilização de cadáveres de animais mortos naturalmente para o estudo e pesquisa da anatomia, técnicas cirúrgicas, etc. Estes cadáveres eticamente obtidos podem ser plastinados para utilização em disciplinas de anatomia ou podem ser preservados em uma solução especial que mantém os tecidos secos, maleáveis e com as características de um cadáver fresco, podendo o mesmo cadáver ser utilizado ano após ano.

Ensino

Os alunos e alunas podem aprender através de modelos e simuladores computadorizados, realidade virtual, observação em campo e até mesmo a auto-experimentação. Existem pesquisas científicas comprovando que estes e estas estudantes que aprendem através de métodos éticos absorvem o conteúdo de forma similar ou superior aos que utilizaram animais experimentalmente. Isso acontece porque o animal em sala de aula é um fator de distração para os(as) estudantes. O(a) estudante deixa de se concentrar nos objetivos da disciplina e se desvia para outros fatores como se é correto utilizar aquele animal, se o animal está sofrendo, se ele irá acordar da anestesia, se ele irá morrer, etc. Outro exemplo são as caixas de invertebrados nos cursos de Ciências Biológicas. Os alunos e alunas podem pegar também insetos e outros animais que morreram naturalmente, é só ficarem de olho no chão!

 

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