Perguntas e respostas
Como vocês podem falar em nome dos animais? Como vocês podem afirmar saber o que eles querem ou deixam de querer?
De fato, nós não conhecemos as preferências de ninguém. Nós não sabemos se você gosta de rock, axé ou música gospel. Mas sabemos que não deseja ser dominado(a) por ninguém, e que isso você não troca por nada. Sabemos disso mesmo sem conhecê-lo(a), e o sabemos por você ser um ser senciente. Não faria sentido que alguém dotado da capacidade de sentir dor não prezasse a própria vida. E não faria sentido que alguém que preza a própria vida admitisse sem qualquer problema que sua vida fosse entregue a outro, que pudesse fazer com ele o que quisesse.
Serão só os sencientes os carregadores do direito de não ser considerado propriedade?
Em quem tem o direito de não ser propriedade?, vimos que todo ser senciente possui esse direito. E quanto aos não-sencientes? É um tanto ilógico imaginar que o processo evolucionário tivesse privado um ser que preza a própria vida de um mecanismo básico de preservação da mesma, como a capacidade de sentir dor. Assim, é bastante natural enxergarmos seres sencientes como os únicos que prezam sua própria vida, logo os únicos que carregam o direito moral de não serem considerados propriedade.
Plantas não prezam a própria vida? Se prezam, isso quer dizer que as pessoas têm que ser não só vegetarianas, mas frutarianas?
Nada indica que plantas sejam sencientes. Como elas não possuem sistema nervoso, seria necessária uma explicação metafísica para dar conta de seu potencial de sentir dor. Mas isso não tem nada a ver com o que é um fato consumado: animais são seres sencientes. Administra-se anestesia a cães antes de uma cirurgia – mas não se administra anestesia a plantas antes de uma poda. Não há qualquer estudo científico concluindo que as plantas são seres sencientes.
Existem animais não-sencientes? Existem indivíduos que não são animais, mas são sencientes?
Esponjas são classificadas como animais, mas não são sencientes, pois, assim como as plantas, não possuem nenhum resquício de sistema nervoso. Não se conhecem seres sencientes que não pertencem ao reino animal. De qualquer modo, não há dúvida de que os animais que exploramos cotidianamente são sencientes. Conseqüentemente, é nosso dever respeitá-los.
Insetos são sencientes? Como isso afeta a prática do veganismo?
Sim. Insetos claramente prezam sua própria vida, e devem ser respeitados por nós. Isso significa, por exemplo, que não devemos roubar a comida que as abelhas fabricam para sua comunidade, o mel. Também que podemos afastar as baratas que porventura surjam em nossas casas simplesmente as cobrindo com uma lata, passando uma folha de papel embaixo, e liberando-as do lado de fora. Quanto às formigas que andam na rua, é lamentável, mas inevitável, que acabemos matando algumas. Só não precisamos pisoteá-las de maneira intencional. Não é porque não conseguimos fazer tudo que não vamos fazer o que está absolutamente ao nosso alcance.
As pragas das lavouras não prezam a própria vida? E aí, como fica?
Sim! Se é essa sua preocupação, você pode tentar priorizar frutas, verduras, legumes e tubérculos produzidos sem inseticidas (orgânicos), e de preferência, em uma fazenda de alguém que respeita os animais. O(a) fazendeiro(a), se quiser, pode fazer uso de espantalhos, homeopatia, barreiras físicas, usar repelentes sonoros, e também pode fazer rotação e planejamento agroecológico das suas culturas como medida preventiva para que outros animais não se fixem ali e se aproveitem de sua produção. É impossível reduzir o número desses animais a zero – mas isso tampouco é necessário. Também seria interessante se as ferramentas desse(a) fazendeiro(a) fossem desenhadas para não matar minhocas. E, mais importante, que o adubo não contenha esterco. Se você conhece um(a) produtor(a) com essa preocupação, por favor nos avise! O(a) produtor(a), ou mesmo você que quer praticar horta urbana no seu quintal, pode encontrar recomendações e critérios para uma lavoura vegana orgânica em www.veganorganic.net.
Vocês dizem que o problema todo é que enxergamos os animais como nossa propriedade, de modo que os humanos podem fazer virtualmente qualquer coisa com os não-humanos. Mas e quanto aos animais na natureza, estes também são nossa propriedade?
Sim. E por dois motivos. Um deles é que eles pertencem ao governo (humano, claro) do país em que se encontram. O governo pode mandar que qualquer coisa seja feita ou deixada de fazer com eles. O segundo motivo é que a primeira pessoa que conseguir dominá-los será considerada sua proprietária. É assim, por exemplo, com a caça e pesca esportiva. Se queremos reconhecer o direito mais básico dos outros – o direito de não serem considerados nossa propriedade – nós temos que simplesmente deixá-los em paz, deixá-los viver a sua vida naturalmente, de acordo com suas próprias preferências.
Se nós não explorássemos os animais, talvez eles sequer existiriam. Por exemplo, se todas as pessoas do mundo virarem veganas, bois e cachorros provavelmente entrarão em extinção. Isso não será uma maldade que fazemos com eles?
Você está com a razão em relação ao fato de que o número de indivíduos dessas espécies ficará extremamente reduzido. Então provavelmente algumas pessoas se dirão preocupadas com a extinção dessas espécies. Mas é bom notar, em primeiro lugar, que animais que foram afastados da natureza (caso dos bovinos), bem como aqueles que foram inventados pelo ser humano e nunca tiveram uma natureza (caso dos cachorros “domésticos”), não têm qualquer função na natureza. Salvo um ou outro touro selvagem e cachorro-do-mato, os indivíduos dessas espécies não estão mais na natureza, de modo que sua extinção não desequilibrará o meio ambiente. Em segundo lugar, é bom lembrar que espécies não têm direitos. Só pode ter direito um ente que possui um interesse a ser protegido por tal direito. E só têm interesses os indivíduos, não as espécies. Assim, não há nenhuma maldade na proposta vegana (muito pelo contrário, há um profundo respeito por todos os indivíduos). Em terceiro, lembremos que o mundo vai se tornando vegano aos poucos, cada vez que uma pessoa decide se tornar vegana. À medida que isso acontece, a oferta de produtos animais também vai diminuindo, e menos escravos vão sendo trazidos à existência. Mas, num caso absurdo em que todos os(as) não-veganos(as) do mundo num belo dia tivessem um despertar de consciência e decidissem se tornar veganos(as) na mesma hora, teríamos que cuidar de todos os bois e cachorros já existentes para que tivessem uma vida digna até sua morte natural. Alguns animais possivelmente ainda poderiam ser reintroduzidos na natureza, outros não. Mas o que lhes importa não é se sua espécie entrará ou não em “extinção”, mas sim se eles mesmos continuarão existindo para satisfazer aos outros ou se suas preferências começarão a ser levadas em conta.
Aliás,
cuidado para não cair no engodo da “extinção”! Esse termo costuma ser empregado
por alguns ambientalistas como sinônimo perfeito de “escassez”. O objetivo
dessas pessoas ao buscar regular (ou coibir em determinados períodos) a
matança, apropriação e/ou venda de animais de determinadas espécies é que esses
“recursos” naturais dos seres humanos (os animais não-humanos) não se percam.
Isso garante o “direito natural” das futuras gerações humanas de se aproveitarem
dos animais como nos aproveitamos hoje em dia (ou também de outras maneiras que
ainda não foram descobertas). Para eles, o que importa é o número de exemplares
da espécie, e não cada indivíduo dela.
Eu concordo que devemos evitar o uso de animais, mas às vezes esse uso é tradicional dentro de uma cultura. O que é pior, sacrificar uma galinha ou sacrificar uma cultura?
Sacrificar uma galinha. Os hábitos da humanidade têm que evoluir à medida que sua moralidade evolui. Se somos contra matar galinhas, não as matemos. Nós temos que incorporar, e não moldar, nossos princípios à nossa cultura. É bom lembrar que a cultura não é estática, é dinâmica.
Mas e quanto a culturas que ainda vivem de caça e pesca, como esquimós e índios? Elas devem ser orientadas para abolirem as práticas envolvendo animais?
A
resposta da pergunta anterior vale para todos igualmente, mas devemos
pensar primeiro no que nós devemos fazer, para depois pensar
no que os outros podem fazer. Mas sem dúvida, a exploração
de animais, assim como de mulheres ou de prisioneiros de guerra não
pode ser justificada com frases como “Sempre foi assim”. Deveremos chegar
num momento em que seja necessário o diálogo entre culturas – o que nada tem a
ver com imposição cultural.
Já ouvi dizer que, nos primórdios, nosso cérebro evoluiu graças a nossa alimentação onívora. Será que eliminarmos a carne do cardápio neste estágio não vá resultar numa involução da nossa espécie, no longo prazo?
É impossível comprovar a
teoria de que comer carne desenvolveu nosso cérebro. Como dizer que não foi a
necessidade de inventarmos novas armas ou planos para capturar animais para
comermos que o desenvolveu? Mas, mesmo se acreditássemos nessa teoria, não
poderíamos dizer que, se o homem se tornar vegetariano, ele ou seus
descendentes poderão ficar menos inteligentes. Como explicado em uma
pitada de nutrição, hoje é possível obtermos
facilmente todos os nutrientes de que precisamos a partir da dieta
vegetariana – o que era bem menos fácil na pré-História.
É dificílimo eliminar por completo da minha lista de compras produtos de empresas que fazem testes em animais. Isso significa que não posso me considerar vegana, ou pelo menos não 100%?
Não! Ser vegano significa buscar não colaborar com a escravidão. Não conseguimos fazer isso em 100% das situações, mas isso não nos torna menos veganos(as). O importante é termos clareza das implicações de tudo o que consumimos, e sempre buscarmos melhorias. Em geral, aprendemos bastante com outras pessoas veganas, que podem conhecer um substituto mais ético para um produto que estávamos acostumados a consumir. Temos que estar sempre de olhos e ouvidos bem abertos.
É impossível ser vegano 100% do tempo. Ouvi dizer que até na borracha do pneu do ônibus que eu tomo vai gelatina.
É verdade. Mas, se você deixar de tomar esse ônibus, a empresa de pneus
vai entender que você não quer que ela use gelatina no pneu? Bem pouco
provável. Por outro lado, quando deixamos de consumir laticínios (por exemplo),
o recado que estamos dando para o explorador é direto. Se as vendas de queijo
diminuem hoje, a produção diminuirá amanhã, e menos animais terão de ser trazidos
à existência para nos servir. Toda e qualquer iniciativa no sentido de boicotar
a escravidão é positiva – mas há de se relevar a efetividade desse boicote, ou
seja, se a idéia dos direitos animais está realmente sendo transmitida e
absorvida.
Se algum dia eu for atropelado, devo pesar igualmente os meus interesses e os interesses dos animais que foram torturados para a fabricação das drogas que vão me aplicar no hospital? Isto é, simplesmente recusar o tratamento, e morrer? Até onde deve ir o nosso respeito pelos outros?
É
absolutamente compreensível que, em casos em que algum interesse fundamental
nosso esteja em conflito com o de outros (sejam não-humanos ou humanos), tendamos
a priorizar o nosso. Mas nem por isso que somos a favor da exploração
institucionalizada dos outros. A única situação moralmente aceitável seria se
ninguém tivesse sido sacrificado para se desenvolverem as drogas que poderão te
salvar no caso do atropelamento (como no exemplo do vizinho, aqui). Mas, infelizmente, você não pode
mudar o passado, apenas o futuro. Assim, não há nenhuma incoerência em você, por
um lado, aceitar o medicamento que vai aliviar sua dor e salvar sua vida, e por
outro, lutar para que cessem já os testes em animais. A melhor maneira de fazer
isso é simplesmente se cuidar, para que o seu uso cotidiano de remédios seja o
menor possível.
Vocês devem saber que nem todos acreditam em direitos. Para alguns filósofos morais, o que importa é apenas a minimização da dor em todos aqueles que podem senti-la. O que vocês têm a dizer sobre isso?
Que é claro que menos dor é melhor do que mais dor, qualquer um sabe disso. Se as questões concernentes à nossa relação com os demais animais não envolvessem interesses que de outra dimensão que o interesse em não sentir dor, nós realmente não precisaríamos falar de direitos, apenas de maximização de bem-estar. Mas esse não é o caso, como explicado em o que são direitos animais?. Sob uma ótica utilitarista (uma que desconsidere direitos, por considerar que todos os interesses são comensuráveis), diversas violações abomináveis de direitos podem ser justificadas, não só entre humanos e não-humanos, mas também entre humanos e humanos. Não podemos aceitar que o utilitarismo seja a matriz ética da nossa sociedade.
Às vezes vemos pessoas e grupos que se dizem defensores dos animais, mas não os vemos procurando romper com esse paradigma da propriedade, apenas buscando regulamentar como os animais podem ser explorados por nós. Isso não vai contra toda a teoria de vocês, de respeito pelos animais?
Sim. Esses tais “defensores dos animais” não questionam o uso em si dos animais, mas sim o tomam como uma premissa. Na verdade, eles são tudo com que poderia sonhar o explorador. Nada melhor que pessoas e grupos que posam de “defensores dos animais” colocando para a sociedade que existem maneiras erradas (e, conseqüentemente, uma maneira correta) de usarmos os animais. Essa é a maneira mais segura de garantir a perpetuação da escravidão. Basta fazer pequenos ajustes de tempos em tempos nos seus detalhes para que as pessoas sempre renovem sua percepção de que ela é natural e aceitável.
Eu concordo com vocês que devemos respeitar os animais, mas minha situação financeira não acomoda bem o vegetarianismo. O que fazer?
Se sua situação financeira não acomoda bem o vegetarianismo, ela também não deve acomodar bem o onivorismo. Ou talvez você ainda não tenha se dado conta de como é fácil e barato ser vegetariano(a). Quando uma pessoa se torna vegetariana, ela começa a descobrir todas as gostosuras que estava perdendo quando era onívora. Mas nenhum(a) vegetariano(a) é obrigado(a) a comer carne de soja, tofu, ou alimentos vegetais exóticos. A porção vegana da culinária brasileira, além de usualmente barata, é riquíssima do ponto de vista nutricional, como você pode ver em uma pitada de nutrição.
Eu como na rua quase todo dia, assim ficando quase impossível de eu não comer produtos de origem animal. Alguma dica?
É muito fácil encontrar
restaurantes por quilo não-vegetarianos em que vegetarianos(as) podem se
deliciar. A primeira pergunta costuma ser se o feijão leva carne. Se eles te
assegurarem que não (lembre a eles que bacon, por exemplo, é um tipo de carne),
e que não foi nem “só cozido” com carne, nem levou algum caldo ou gordura
animal, você deve estar num lugar confiável. Mas não tenha medo de perguntar
quando tiver dúvida. Às vezes alguma coisa pode levar manteiga ou ovo e não
aparentar. O importante é sentir confiança nas respostas dos funcionários e
funcionárias da casa.
Animais matam animais na natureza, essa é a ordem natural das coisas. Por que vocês querem romper com isso? Por acaso vocês também propõem ao leão parar de explorar a leoa e de comer a zebra?
Se nós somos
agentes morais, não há por que basearmos nossa ética nos princípios morais do
leão em detrimento dos nossos. Aliás, um leão nem pode ser vegetariano na natureza, pois, diferentemente de nós,
alguns dos aminoácidos que lhe são essenciais (seu organismo não os consegue produzir)
não são obteníveis a partir dos vegetais. Como colocamos em o
que precisamos fazer?, o fato de que as pessoas podem
ser vegetarianas sem qualquer prejuízo à sua saúde é fundamental para que o
vegetarianismo seja considerado a prática alimentar do indivíduo vegano, aquele
que respeita os animais.
Concordo com a idéia de que os animais devem ser bem tratados, mas acho um tanto exagerada a idéia de que não devemos sequer tratá-los. Eu mesmo crio alguns animais, e posso lhes assegurar que eles têm uma ótima vida.
Qualquer criação de animais não-humanos, seja ou não voltada para o comércio, tem como motivação única o bem-estar de algum humano. Não há nada pior que domesticar um animal. Se o ser humano resolveu se separar da natureza e viver numa selva de pedra, tudo bem – mas nem por isso os outros animais têm que fazer o mesmo. Deixemo-los livres de uma vez por todas – não forçando sua procriação para que suas crias sirvam algum interesse nosso. É lógico que é melhor sermos senhores(as) de escravos bonzinhos do que senhores(as) de escravos vis – mas mesmo nesta situação não deixamos de ser senhores(as) de escravos.
E quanto a ter animais domésticos, isso é errado?
A existência de animais “domésticos” sem dúvida é um grande problema. Não importa o quão bem nós os tratemos, eles sempre estarão limitados por nossas vontades. Diferentemente das crianças humanas, eles para sempre comerão na hora em que nós quisermos, farão suas necessidades na hora em que nós quisermos, sairão para passear (no caso de cães) na hora em que nós quisermos. Sem exceção, sejam cães, gatos, pássaros ou peixes, ou sua liberdade lhes foi roubada (no caso em que eles foram capturados de um ambiente natural), ou a liberdade de seus pais foi roubada (no caso em que eles nasceram em cativeiro). Nesse último caso, laços familiares também foram rompidos. E não temos que continuar dando nosso dinheiro a gente que faz barbaridades como essas. Por isso, não devemos comprar animais.
Mas é lógico que, quando adotamos um animal abandonado, não estamos dando nenhum suporte à escravidão, mas sim nos comprometendo a dar uma vida o mais decente possível a um indivíduo que já se encontra numa situação de dependência – e isso é ótimo. É importante não nos esquecermos de castrá-lo, a fim de frearmos o uso de animais para entretenimento humano.
A carne que eu compro é de um bicho que já foi explorado e morto. Não fui eu quem o escravizou e matou. Assim, não sou eu quem tem de mudar, mas sim os exploradores!
Na verdade, a
responsabilidade maior deve recair sobre o consumidor, não sobre
o produtor. O último é apenas o executor do crime
moral – o primeiro é o mandante. Os(as) produtores(as) só exploram animais porque é o que
precisa ser feito se nós queremos continuar tendo a possibilidade de ter
animais “de estimação”, queijos-quentes ou gravatas de seda. No momento em que
nós não quisermos mais essas coisas e quisermos outros produtos que não
envolvem desrespeito, gradualmente ocorrerá um deslocamento do setor
escravocrata da economia para setores não-escravocratas, ou mesmo uma mudança
dentro do setor até então escravocrata (hoje, no Brasil, grandes cadeias de
alimentos a base de carne animal já possuem linhas a base de carne de soja).
O que cada um come é uma opção pessoal. Vocês não têm o direito de me dizer o que devo e o que não devo comer!
É verdade,
não temos esse direito. Apenas note que, se você se opõe à escravidão, seria
uma grande incoerência você comprar ou usar alimentos de origem animal,
já que estes necessariamente provêm da escravidão. Logo, coma o que você quiser
– mas seja vegetariano(a).
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