Colocando a teoria em prática
Só para clarear
as idéias, pensemos no caso dos escravos africanos no Brasil colonial. Imagine
que você fosse um europeu do século XVI. Como você faria para respeitar esses
seres sencientes que, apesar de terem o direito moral de não serem propriedade,
não tinham a contrapartida legal desse direito? Bom, em primeiro lugar, você
não seria um(a) senhor(a) de escravos, claro. Mas isso adiantaria de algo se
você continuasse a consumir o açúcar produzido com mão-de-obra escrava?
Não. Para o escravo,
não faz diferença nenhuma quem está segurando o chicote, se você ou outra
pessoa. Ao engrossar a demanda por um produto que venha da escravidão, damos o
nosso próprio aval para que a escravidão continue, firme e forte. Não somos nós
que seguramos o chicote – mas somos nós que colocamos o chicote na mão do
capataz. Por outro lado, se você optasse por boicotar aquele produto, você
conseguiria mostrar sua oposição à instituição escravocrata, e ajudaria a
torná-la menos forte e legítima. E, com certeza, menos indivíduos teriam que
ser escravizados para suprir a menor demanda.
O tempo passou,
mas a lógica continua a mesma. A única maneira de combatermos a escravidão
legalizada de hoje, a dos animais não-humanos, é nos recusando a consumir produtos
provenientes dela: carnes, laticínios, couro, animais “de estimação”, produtos
testados em animais, ingressos de zoológico etc. Essa idéia revolucionária é
chamada de veganismo. É, por definição, a única maneira de respeitarmos
os animais. Ela é tratada com mais detalhes aqui.
É bom notar que não é nenhuma espécie de santidade da nossa parte que os
outros animais requerem. Nós tampouco somos santos(as) em nossas relações com
os outros humanos: é difícil encontrar alguém que verdadeiramente considere de
maneira igual os interesses dos outros e os seus próprios. Mesmo assim, respeitamos
as outras pessoas, não violamos seus direitos morais a torto e a direito (encontrem
estes contrapartida legal ou não). E os animais não-humanos também não pedem nada
além do nosso respeito.
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