Repare na argumentação no item anterior. O direito básico de não ser
considerado propriedade decorreu unicamente da capacidade de sentir dor, também
conhecida como senciência. A conclusão imediata é que todos os seres
sencientes têm o direito de não serem considerados propriedade. E quem é
senciente?
Essa categoria inclui não só os animais humanos, mas também os
não-humanos, que também sentem dor. Vacas, ratos, araras, cachorros, elefantes,
cavalos, todos eles têm o direito moral de não serem propriedade, pelo exato
mesmo motivo que humanos o têm. Isso significa que temos a obrigação moral de
respeitar praticamente todos os animais, e não os enxergar como nossos
recursos, meios para os nossos fins.
Infelizmente, hoje em dia, vacas são consideradas animais “para fins de
alimentação e vestuário”, ratos são animais “de laboratório”, araras e
cachorros são animais “de estimação”, elefantes são animais “de circo”, cavalos
são animais “de tração” etc. Ou seja, botamos nos animais não-humanos apelidos
que denotam sua principal utilidade para nós. Violamos seu direito mais
importante, o de não serem considerados propriedade. É por isso que podemos
afirmar que a escravidão nos dias de hoje continua mais forte do que nunca.