Veganismo é
a aplicação da teoria dos direitos animais à nossa vida. Ou seja, é o modo de
vida de quem reconhece que os animais não-humanos possuem o direito moral de
não serem considerados propriedade dos humanos. Veganos e veganas podem ser
caracterizados pela sua recusa em comprar ou usar produtos oriundos da
escravidão, como os produtos de origem animal ou os que foram testados em
animais.
Qualquer
centavo que destinemos à compra desses produtos é um aval que damos à
escravidão, um voto para que ela continue. O mesmo acontece quando usamos esses
produtos, pois assim também incentivamos sua compra e produção. É uma
declaração do tipo “não estou nem aí, para mim os animais não-humanos me
pertencem, mesmo”. Enquanto essa for a declaração da grande maioria das
pessoas, a escravidão continuará firme e forte.
Mas nós podemos
fazer a diferença. Cada um de nós, pessoas comuns e críticas, pode trazer ao
fim pelo menos o seu patrocínio à instituição escravocrata. Por exemplo,
veganos(as) são vegetarianos(as), o que significa que em particular não
usam produtos alimentícios de origem animal. A recusa em comer um
queijo-quente faz sentido não como pesar pela vaca que já foi explorada para a
feitura deste sanduíche, mas como não-incentivo à exploração de mais vacas. São
esses os animais que estão sendo salvos por cada vegano e cada vegana do mundo:
os que não têm de vir a essa triste e indecente existência de servidão aos
propósitos humanos.
Veganos(as)
também são antivivisseccionistas, já que não há como se justificar eticamente a
apropriação de um ser senciente na tentativa de se melhorar a vida de outro
ser. Ainda que alguém considerasse que a pesquisa médica com não-humanos fosse
uma maneira de salvarmos vidas humanas, ele teria que perceber que a
vivissecção é a legitimação e institucionalização da ação imoral do vizinho no
exemplo dado aqui. Se é errado
instrumentalizarmos humanos, isso é porque eles têm interesse de não serem
feitos propriedade – exatamente como qualquer animal.
Se tiver maior interesse nesse tópico, veja a seção pode a ciência ser ética?, onde você pode
conferir que na verdade o exemplo do vizinho inclui diversas colheres de chá
que costumamos dar aos vivisseccionistas (aqueles que ainda hoje defendem a
vivissecção – normalmente estes acabam sendo os próprios vivissectores), que
não encontram qualquer paralelo na realidade. Na verdade, a vivissecção está
longe de ser responsável por mais vidas do que mortes, está longe de ser
responsável pela descoberta de curas, e muitas vezes foca no tratamento de
doenças que podem ser prevenidas com hábitos de vida saudáveis. Mas, claro,
independentemente dos resultados alcançáveis com a vivissecção, esta é imoral e
tem de ser abolida. Toda a humanidade condena as experiências que os nazistas
fizeram com judeus no Holocausto, e não precisamos (nem devemos) perguntar
quais os resultados de tais experiências para chegarmos a esse julgamento
moral. Basta considerar que o direito mais básico dos judeus, o direito de não
serem considerados propriedade, estava sendo violado. E a vivissecção de
não-humanos consegue ser ainda pior, pelo número de vítimas envolvido (dezenas,
talvez centenas de milhões por ano), por ser institucionalizada (legalizada e
regulamentada) nos quatro cantos do mundo, e, o mais triste: por ainda ser
considerada aceitável nos quatro cantos do mundo.
Cada vegano
ou vegana é responsável por um pequeno mas real deslocamento para baixo na
demanda por produtos oriundos da escravidão. Caso você não seja vegano(a) e
decida se tornar, é claro que o número anual de animais não-humanos usados
pelos humanos continuará na casa das centenas de bilhão. Mas você estará
efetivamente salvando aqueles animais que não precisarão mais ser escravizados
para a produção dos produtos que você anteriormente consumia. Para muitas
pessoas, esse número chega a superar a marca de cem animais por ano. Assim,
veganas são as pessoas que verdadeiramente libertam animais – não os condenando
à escravidão. E para cada um desses animais, fazemos toda a diferença do
mundo.